Por que tanta clínica erra o preço
A maioria das clínicas define preço de uma de duas formas: copiando o concorrente ou "sentindo" quanto o cliente pagaria. As duas levam ao mesmo lugar — uma agenda cheia que, no fim do mês, não vira lucro. Preço bom não é o mais alto nem o mais baixo: é o que cobre todos os custos, remunera o profissional de forma justa e ainda deixa margem para o negócio crescer.
O que realmente entra no custo de um procedimento
Antes de chegar ao preço, é preciso conhecer o custo real — e ele vai muito além do produto aplicado. Os componentes que quase sempre são esquecidos:
- Insumos diretos: produtos, descartáveis e materiais usados naquele procedimento específico.
- Tempo de cadeira: quanto tempo a sala e o equipamento ficam ocupados — isso tem custo, mesmo que invisível.
- Comissão e mão de obra: o quanto o profissional recebe por aquele atendimento.
- Custos fixos rateados: aluguel, energia, equipe administrativa e marketing diluídos por atendimento.
- Impostos e taxas: tributos sobre a receita e taxas de cartão e parcelamento.
A conta da margem
Com o custo total na mão, o preço precisa cobrir esse custo e ainda gerar a margem que você definiu como meta. O erro clássico é aplicar uma margem só sobre o custo do produto, ignorando tempo, comissão e custos fixos — e descobrir tarde demais que o procedimento mais vendido é justamente o que dá menos lucro.
Os erros que corroem o lucro silenciosamente
- Descontos e parcelamentos sem repassar o custo financeiro ao preço.
- Pacotes promocionais que vendem muito, mas com margem negativa.
- Não revisar preços quando insumos ou comissões sobem.
- Tratar todos os procedimentos com a mesma lógica, ignorando que cada um tem custo e margem diferentes.
Por onde começar
O primeiro passo é levantar o custo real de cada procedimento e calcular a margem que cada um entrega hoje. Quase sempre aparecem surpresas — serviços campeões de agenda que dão prejuízo e procedimentos discretos que são os mais rentáveis. A partir daí, dá para ajustar preços, repensar o mix e decidir com base em número, não em achismo.